Agenda para a sustentabilidade

Por Henrique Villa da Costa Ferreira - Secretário Nacional de Articulação Social

Fonte: Jornal Estado de Minas – 26/09/17

Nos próximos dois dias, o Sistema da Federação das Indústrias de Minas Gerais (Fiemg) realiza o 11º Seminário Internacional de Sustentabilidade, que tem por objetivo promover o debate e a troca de experiências para estimular a prática da sustentabilidade, da inovação e do diálogo entre as empresas, a sociedade e os governos.

O evento tem caráter internacional e reúne diversos palestrantes, que estão desafiados a conectar as empresas e seus colaboradores com as tendências e novas experiências de transformação por que passa o planeta. Dele participam empresários, dirigentes, executivos, profissionais ligados às empresas, representantes de governos e lideranças da sociedade civil.

Em 2017, o destaque do evento é a Agenda 2030 e os Objetivos do Desenvolvimento Sustentável que representam uma oportunidade inigualável para que empresas, governos e a sociedade em geral possam planejar de forma coordenada e com horizonte temporal mais longo a transformação do Brasil num lugar mais justo, solidário e próspero.

O então secretário-geral da ONU Ban Ki-moon dizia que se tratava "de uma agenda do povo, um plano de ação para acabar com a pobreza em todas as suas dimensões, de forma irreversível, em todos os lugares, não deixando ninguém para trás".

E que buscava garantir a paz, a prosperidade e forjar parcerias com as pessoas, tendo o planeta em seu cerne. Os 17 Objetivos de Desenvolvimento Sustentável, dizia ele, "integrados, interligados e indivisíveis, são os objetivos das pessoas e demonstram a escala, a universalidade e a ambição da nova agenda".

A Agenda 2030 para o desenvolvimento sustentável é resultado de uma construção coletiva e amplo consenso de representantes dos 193 estados-membros das Nações Unidas, com início na Conferência Rio+20, realizada no Rio de Janeiro, em 2012. O documento “Transformando nosso mundo: a Agenda 2030 para o desenvolvimento sustentável" define a estratégia mundial para os próximos 13 anos.

A Agenda 2030 busca, entre outros objetivos, a prosperidade humana, a redução da pobreza, a erradicação da fome, o combate às desigualdades e a proteção do planeta e das pessoas, utilizando parcerias e cooperação entre os países e suas instituições.

A Secretaria de Governo da Presidência da República (Segov/PR) foi convidada a participar do evento pelo seu papel preponderante na governança da Agenda 2030 Brasil – a Segov/PR, por meio do seu ministro-chefe, Antônio Imbassahy, ocupa a presidência da Comissão Nacional dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável, instância máxima de governança da agenda.

A comissão é um instituto colegiado paritário, de natureza consultiva, para articulação, mobilização e diálogo dos entes federados e da sociedade civil para a implementação da Agenda 2030 e foi instituída pelo presidente Michel Temer por meio do Decreto 8.892, de 31/10/2016.

Ela surge no contexto da valorização do diálogo e da participação social no processo de gestão e governança de políticas públicas no Brasil e no reconhecimento de que instâncias de governança paritárias são fundamentais para a elevação das práticas de governo à condição de prioridades de Estado.

O alcance dos objetivos do desenvolvimento sustentável não é tarefa singular. Não cabe apenas aos governos o esforço de execução da agenda, mas ao conjunto da sociedade brasileira, sem exceção.

No atual estágio de implementação da Agenda 2030 Brasil, a chamada etapa de internalização estabelece que a fase de sensibilização dos atores sociais para a importância da agenda e relevância do processo deve alcançar todos os segmentos da sociedade brasileira, inclusive o setor produtivo.

A inserção internacional do produto brasileiro ficará difícil se não forem observados princípios caros à Agenda 2030, princípios de sustentabilidade corporativa, por exemplo. Internamente, cresce a percepção da população sobre o assunto, fato que aumenta a responsabilidade e o compromisso com o consumidor e com elos das cadeias produtivas, por exemplo.

Os ODS são oportunidades de fortalecimento de negócios, reduzindo perfis de risco das empresas e caminho de oportunidades para negócios hoje e amanhã.

Razão pela qual eventos que tratam do tema da sustentabilidade no meio coorporativo – como o que será realizado pela Fiemg em 27 e 28 de setembro – são muito bem-vindos, necessários, fundamentais para empresas, para a sociedade em geral e para o aumento da consciência de que a responsabilidade com a implementação da Agenda 2030 Brasil é de todos nós.

 

Relacionadas