Agronegócio aquece a economia brasileira

Por Benjamin Salles Duarte

Extraído do Jornal Diário do Comércio – 12/04/17

Segundo a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) e o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), na safra agrícola brasileira de 2000/01 a produção atingiu 100,26 milhões de toneladas de grãos e a população somava 167,79 milhões de habitantes. Em 2016/17, no 6º Levantamento da Conab, a oferta de grãos deve atingir 222,91 milhões de toneladas e a população brasileira é atualmente de 207,30 milhões de habitantes.

Portanto, comparando-se a safra de grãos de 2000/01 com a de 2016/17 houve um crescimento de 122,33%, e no que se refere ao avanço populacional o número de brasileiros aumentou 23,54%. Portanto, a produção de grãos foi 5,19 vezes maior do que o crescimento da população entre os anos de 2000 e 2017(abril), e a produtividade média das culturas avançou 40,82%.


Resumindo, a oferta de grãos atingiu mais 122,33%, a produtividade média por hectare cultivado 40,82%, e a população brasileira cresceu 23,54% entre 2000 e abril de 2017. Esses dados, entre outros igualmente importantes, revelam o extraordinário desempenho do agronegócio brasileiro no abastecer o mercado interno, exportar e contribuir para reduzir ou estabilizar os preços da cesta básica e mobilizar o segmento dos insumos e tecnologias aliado à agricultura e aos sistemas agroalimentares.

Na safra agrícola de 2000/01 a disponibilidade de grãos per capita/ano foi de 597,53 quilos, e em 2016/17 atingiu 1.075 quilos ou mais 79,90%, no mês de abril de 2017.

A Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação (ONU/FAO) recomenda um mínimo disponível de 500 quilos de grãos per capita/ano, e no limite mais alto 1.000 quilos. O Brasil está fazendo com eficiência seu histórico dever de casa e na convergência dos mercados, tecnologias e adoção de inovações em nível de campo, que é um processo de mudanças multidisciplinar e compartilhado entre agentes públicos e privados. Abastecer e exportar estão liminarmente sintonizados.

Em 2016, segundo dados da Secretaria da Agricultura de Minas/Mdic, o agronegócio brasileiro logrou um superávit de US$ 71,30 bilhões e nele contidos US$ 6,9 bilhões do agro mineiro.

Evidentemente que esse desempenho auspicioso e histórico se deve à uma conjunção de fatores alinhados à tomada de decisão dos empreendedores rurais e seus desdobramentos nos sistemas agroalimentares, entre os quais; aumento da população, distribuição da renda per capita, que estimula o consumo de alimentos e proteínas nobres, ganhos de produtividade nas culturas e gestão mais eficiente nos estabelecimentos rurais.

Mas tem um desafio que persiste há décadas entre promessas e obras ainda acanhadas, diante da magnitude geográfica desse país continental, que é a logística integrada de transportes rodoviário, ferroviário e por vias navegáveis, bem como no desempenhar dos portos graneleiros.

Não há como postergar soluções e até privatizações indispensáveis. Essas fragilidades logísticas podem ser fatais numa perspectiva de tempo, pois os espaços comerciais são conquistados e não herdados no mundo do agronegócio, pois não se configuram, didaticamente, como “Capitanias Hereditárias” que, no Brasil, passavam de pai para filho, à época do Império. O mercado é soberano nas suas escolhas e preferências.

O Brasil já domina um elenco considerável de inovações tecnológicas, geradas pela pesquisa, na agricultura, pecuária de pequenos e grandes animais, fruticultura, horticultura e no setor de base florestal brasileiro, que nas exportações do ano passado logrou US$ 10,2 bilhões num total de US$ 84,9 bilhões exportados ou 12,01%, e se coloca no 4º lugar do agronegócio nacional no mercado externo, depois dos complexos soja, carne e sucroalcooleiro (Mdic/Seapa).

Entre 2014 e 2016, o superávit acumulado das exportações do agronegócio brasileiro foi de US$ 226,59 bilhões, e os sistemas florestais são estratégicos para o País.

Outrossim, os economistas e as consultorias de bancos estimam que o PIB deve crescer de 0,1% a 0,3% entre janeiro e março deste ano, comparado com o último trimestre de 2016. O salto da agropecuária pode chegar a 8%, pela supersafra agrícola 2016/17, caso contrário, a variação do PIB brasileiro seria negativa. Em 2016, o PIB brasileiro foi de R$ 6,267 trilhões ou US$ 1,796 trilhão, com o dólar médio comercial no ano passado de US$ 3,488.

 

 

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