Congelar preço da gasolina no governo Dilma custou R$ 40 bi a usinas

Mauro Zafalon – Jornalista
Artigo extraído do jornal Folha de São Paulo em 22/11/2016

O represamento dos preços da gasolina durante o governo da presidente Dilma Rousseff saiu caro para as usinas e, agora, poderá ser custoso também para o governo.

A política de controle da inflação, por meio desse represamento, gerou perdas de cerca de R$ 40 bilhões para os produtores de etanol de 2011 a 2014. Muitos, agora, se movimentam para obter um ressarcimento do governo por essas perdas.

O valor foi apurado e trazido a valores atuais pela MacroSector Consultores.

A defasagem do preço médio da gasolina foi de 17% na refinaria nesse período. Isso gerou uma perda, em valores atualizados, de R$ 0,20 a R$ 0,30 por litro de etanol no período analisado, segundo a MacroSector.

O represamento foi nos preços da gasolina, mas os valores do álcool estão basicamente atrelados aos desse combustível.

Quando o preço do etanol supera o percentual de 70% do da gasolina, o derivado de cana passa a ser menos competitivo do que o do combustível fóssil.

Essa política de interferência do governo ocorreu logo depois de muitos projetos, voltados exclusivamente para a produção de etanol, entrarem em operação.

O descasamento entre remuneração e custos levou muitas usinas a paralisar as atividades.

Sem geração de caixa, algumas optaram por atrasar pagamentos de impostos; outras retardaram a renovação das lavouras de cana-de-açúcar, diminuindo a oferta de cana. Para outras, a saída foi um endividamento, segundo informações do setor sucroenergético.

Atualmente, pelo menos 80 unidades estão com as atividades paradas ou em recuperação judicial, enquanto o endividamento do setor é estimado de R$ 80 bilhões a R$ 90 bilhões.

Esses números se referem ao total das usinas estabelecidas no Brasil.

Para Fabio Silveira, sócio-diretor da MacroSector, o controle de preços da gasolina efetuado pela União obrigou os produtores de etanol a manter o preço de seu produto abaixo do ponto de equilíbrio do mercado.

"A grave crise no setor não retardará a propositura de ações exigindo a reparação dos danos causados pela política do governo", diz.

 

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