Emissões de CO2: Brasil está bem na foto

Por Fernando Calmon, jornalista

Extraído de AutoPapo – 27/02

Um projeto de lei (PL) tramitava de forma lenta desde 2017 no Senado Federal, de autoria de Ciro Nogueira (PP-PI), mas passou pela Comissão de Constituição e Justiça. Prevê, a partir de 2030, a proibição de fabricar veículos com motores térmicos a gasolina e diesel, embora ressalve os movidos a etanol. E vai mais longe ao decretar que em 2040 nenhum automóvel possa circular com combustíveis de origem fóssil.

Independentemente da ideia estapafúrdia, rejeitável em qualquer outra comissão do Senado, reflete a evidente desinformação sobre o tema. Deve-se considerar, entretanto, que alguns países europeus embarcaram nessa lenga-lenga falso-ambientalista. Mesmo lá, poucas nações de população muito baixa e altíssima renda ainda podem se dar ao luxo de impor restrições e prazos pois dispõem de muito dinheiro para tal. Os demais se arriscam a uma marcha à ré próxima das datas autoimpostas de 2035 ou 2040.

Necessário saber que outras regiões do planeta preferiram não estabelecer nenhum prazo para substituir motores térmicos por elétricos. Nem mesmo a China, maior emissor de gás carbônico (CO2) do mundo, e muito menos EUA e Japão. Todos com gigantescas frotas de veículos. Na realidade, sem fortes subsídios diretos na comercialização poucos comprariam carros elétricos, em grande escala, por razões bem conhecidas.

De novo, o exemplo da China. O principal fabricante mundial de veículos com motores térmicos e de elétricos decidiu cortar parte dos subsídios, mas teve de voltar atrás porque as vendas caíram de imediato. Nessa balada ciclotímica será difícil estabelecer regras e prazos até para cumprir o Acordo do Clima referendado em Paris pelo gigante asiático.

Boa parte do mundo parece desprezar os riscos de aumento e não de diminuição de emissão dos gases de efeito estufa, principal deles o CO2. Tudo em razão da matriz energética global de geração de eletricidade para recarregar baterias ainda ser em torno de 65% dependente de fonte fóssil: carvão, óleo combustível, óleo diesel e gás natural. Alternativas renováveis – entre elas, sol e vento – avançam ainda com alguma dificuldade e o potencial hidroelétrico é limitado.

Porém, no caso específico do Brasil, a conta fica ainda mais difícil de fechar. O País pouco prejudica o planeta em termos de emissões de gás carbônico. Segundo o consultor Plínio Nastari, em 2018, a China é o maior emissor mundial de CO2 em termos absolutos. Mas ao se calcular o valor per capita, o Canadá aparece em primeiro com 15,5 toneladas por habitante/ano. EUA estão em segundo com 14,9 t e o Japão em terceiro com 8,7 t. Nosso país está lá atrás, no bom sentido, com apenas 2 t graças às usinas hidrelétricas, principalmente.

O Brasil ainda deve contabilizar o etanol – em uso isolado ou em mistura de 27% à gasolina nos motores térmicos – que ao ser produzido reduz em até 80% a emissão de CO2. Isso ocorre em razão do ciclo de vida desde a sua produção (fotossíntese na plantação absorve CO2 e devolve oxigênio à atmosfera) até o que sai pelo escapamento, incluído consumo de diesel tanto no campo quanto no transporte por caminhões.

Em conclusão, o tal PL tem utilidade perto de zero para ajudar a “salvar” a Terra.

 

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