Índia balança o mercado enquanto os mais eficientes sofrem

Por Arnaldo Correa da Archer

O mercado futuro de açúcar em NY fechou a semana com uma minúscula alta em relação à sexta anterior. O vencimento março/19, agora o primeiro contrato negociado na bolsa de NY, encerrou a 11.20 centavos de dólar por libra-peso, apenas 5 pontos de alta em relação à semana anterior.

A Índia chacoalha o mercado internacional com o imenso subsídio para a exportação de açúcar aprovado pelo governo daquele país. O Brasil precisa entrar com uma representação na Organização Mundial do Comércio sob o risco de colocar o setor sucroalcooleiro em desconstrução.

É praticamente impossível competir no mercado internacional quando um pais cujo custo de produção é acima de 18 centavos de dólar por libra-peso tem subsidio suficiente para inundar o mundo de açúcar, prejudicando todos os demais, principalmente o Brasil, cujo custo caixa é de cerca de 12 centavos de dólar por libra-peso FOB Santos. Se aqui temos as usinas mais eficientes do mundo é difícil imaginar que algum produtor no mundo esteja ganhando dinheiro. É só olhar o balanço de uma grande empresa europeia que está no setor.

A crise piora com a desvalorização do real que coloca o endividamento das usinas acima de 157 reais por tonelada e restringe ainda mais o crédito, aumentando o desconto nas negociações de contrato físico para 2019/2020, criando uma bola de neve com consequências inimagináveis.

No mercado futuro, vimos o spread outubro/março chegando a negociar a 102 pontos na semana, após a derrubada de preços em NY seguida do anúncio indiano. Spread desse tamanho significa que o outubro negociava a um desconto de 25% ao ano equivalente em relação ao março. Ou seja, extremamente vantajoso para quem tem destino final receber açúcar na expiração de outubro (ocorrida nesta sexta-feira) e absurdamente maravilhoso para os fundos que rolam suas posições vendidas agregando esse enorme carrego do mercado. Na expiração do contrato para vencimento outubro/2018 apenas 5,337 lotes foram entregues totalizando 270 mil de toneladas de açúcar. Como será que o março reagirá na segunda-feira?

Nos últimos doze meses, os dois contratos de commodities com melhor desempenho foram o petróleo WTI e o petróleo Brent que subiram 44.4% e 42.5% respectivamente. No mesmo período, quem amargou o pior desempenho foi o açúcar, caindo 20.4% e o café caindo 20.3%. Essa performance combinada, de energia para cima e softs para baixo, afiançam que os fundos especulativos não têm a menor pressa em liquidar a posição short que possuem, cujo volume até terça-feira passada era de 132,000 lotes, equivalentes a 6.70 milhões de toneladas de açúcar. Além disso, o cenário macro não é nada bom para as commodities e a possibilidade de um dólar mais forte adiante não é nada alentadora.

Fábio Zenaro, diretor de Produtos de Balcão, Commodities e Novos Negócios da B3 (antiga BM&F Bovespa) em artigo publicado no jornal Valor Econômico na semana passada deu uma importante orientação que deveria ser emoldurada e pendurada na parede da sala do CEO de qualquer empresa (em especial, do agronegócio brasileiro): “o uso de derivativos como parte da política de gestão de risco das empresas é ferramenta essencial para a saúde financeira. Não possuir uma política de hedge é extremamente danoso e perigoso, havendo vários casos de empresas que não sobreviveram ao tempo por não fazerem adequadamente a gestão de riscos de mercado a que estavam expostas”.

A afirmação do diretor da Bolsa cai como uma luva para o setor sucroalcooleiro. Só adicionaria que a política de hedge não deve ser terceirizada, tem que construir seus alicerces dentro de casa. Se a terceirização for inevitável, que pelo menos o médico (que prescreve o remédio) e o dono da farmácia (que vende o remédio) não sejam a mesma pessoa. As histórias que se ouvem no mercado de commodities (grãos e softs) quando ambos são a mesma pessoa são de arrepiar.

Aumenta o risco de Haddad ganhar as eleições presidenciais no Brasil. Impossível prever o desastre que sua eventual eleição traria para a economia, para a política e para o moral dos cidadãos de bem se esse boneco de ventríloquo do criminoso Lula receber a faixa presidencial. Além disso, é desalentador ver a manipulação da mídia brasileira em favor da esquerda. Até mesmo jornais e periódicos de credibilidade, que deveriam primar pelo jornalismo sério e investigativo dão espaço para os criminosos habituais. Não se sabe qual será o resultado disso tudo, mas o cheiro que está no ar não é saudável. Compra de puts (opções de venda) fora do dinheiro para vencimento março de 2019 pode ser uma proteção no caso de o Brasil eleger novamente alguém dessa organização criminosa.

Archer Consulting - 01/10/18

 

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