O etanol e o carro elétrico

Por Gustavo Porto - Repórter no Broadcast/Agência Estado

Extraído do portal Broadcast

De tempos em tempos, carros elétricos voltam ao noticiário. São veículos que necessitam apenas serem plugados em tomadas para abastecimento, mas poucos questionam qual a fonte gera a energia elétrica para "encher" as grandes baterias produzidas a partir de lítio e cobalto.

Dados da Agência Internacional de Energia (AIE) mostram que 60% da energia elétrica mundial produzida no ano passado veio de combustíveis fósseis e 18% dos nucleares. Na prática, quase oito entre 10 veículos elétricos do mundo são movidos indiretamente pela queima combustível fóssil ou por meio do urânio em usinas termonucleares.

Outro problema é que normalmente esses veículos são subsidiados pelos governos de países onde são produzidos em larga escala. Segundo a AIE, na China o governo federal gasta em subvenção de US$ 5 mil a US$ 8,5 mil por veículo elétrico, valor que pode ser aumentado pelos governos regionais. Na Noruega, o subsídio é de US$ 11,6 mil, e no Japão, de US$ 7,7 mil. Quem divide essa conta, indiretamente, são os contribuintes.

Uma alternativa são os veículos elétricos movidos por meio de células a combustível. Na prática, essas células transformam um combustível em energia para movimentar motores elétricos por meio de reação química que gera água, ou seja, não poluente. E o etanol é o combustível renovável produzido em larga escala capaz de suprir qualquer demanda desses veículos elétricos.

Há um ano, no lançamento da nova Política Nacional de Biocombustíveis (RenovaBio), em Brasília, um modelo com motor movido por célula a combustível com etanol (Foto) rodou por Brasília e indicou o futuro desses veículos elétricos no Brasil.

O País é o segundo maior produtor mundial desse tipo de biocombustível. Um ano depois, o RenovaBio, política que poderia fomentar o aumento da demanda e da produção de um combustível renovável - e não fóssil ou nuclear - para o abastecimento desses veículos elétricos, está em alguma gaveta da Secretaria da Casa Civil.

Ao mesmo tempo, o álcool hidratado, que seria o principal combustível utilizado em larga escala para o abastecimento desses veículos elétricos é pouco competitivo no Brasil. O etanol só é viável economicamente ante a gasolina em apenas quatro estados brasileiros, como aponta a pesquisa da Agência Nacional de Petróleo, Gás Natural e Biocombustível (ANP).

O Brasil poderia sair na frente nessa corrida em busca de soluções renováveis para o abastecimento de veículos elétricos. Mas os sinais dados até agora são tímidos, quase inexistentes.

 

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