Vergonha antiga

Por Roberto Rodrigues

Ex-ministro da Agricultura e Coordenador de Agronegócio da FGV

Extraído do jornal O Estado de S.Paulo (12/3)


Escandalosa fila de caminhões atolados nas rodovias do Centro-Oeste coloca em risco o escoamento da super safra neste ano e a renda do agronegócio.

Estamos acompanhando, mais uma vez, a vergonhosa situação das rodovias do Centro-Oeste no momento crucial do escoamento da safra de grãos de 2017. Ano após ano, essa tragédia se repete sem que providências adequadas sejam tomadas.

Os produtores rurais investem em tecnologia e em gestão, ampliam as safras acima de qualquer expectativa e depois assistem, impotentes, ao descalabro de caminhões encalhados, sem que seus motoristas possam sequer se alimentar convenientemente, sem falar no problema da higiene pessoal.


Com isso, as exportações ficam prejudicadas e a renda despenca. Neste ano teremos que exportar mais de 60 milhões de toneladas de soja e 25 milhões de toneladas de milho. Esse movimento espetacular precisa ter um ritmo de escoamento bastante eficiente para, com nossa infraestrutura de portos também insuficiente, dar conta do recado.

A escandalosa fila de caminhões atolados coloca em risco essa operação que, se não for completada em tempo e hora, vai prejudicar não apenas os agricultores, com a perda da renda, mas também o País, com menor saldo comercial.


Isso sem falar no abastecimento interno de granjas de aves e suínos espalhadas pelo Nordeste, Sul e Sudeste, cuja dependência de grãos da região central é enorme. Portanto, esse descalabro destrói empregos e renda nas diversas cadeias produtivas que derivam da atividade rural: a indústria de alimentos, a de embalagem, a distribuição no atacado e no varejo, o transporte, a armazenagem, o crédito.

E as ações correlacionadas, nas oficinas mecânicas, na fabricação de peças de reposição, de pneus. E no estado de espírito de todos que são diretamente prejudicados.
Não é um tema novo ou surpreendente. Ao contrário: a falta de logística vem de anos de pouco caso e desdém governamental.

 

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