Vereadores de Lagoa da Prata analisam PL sobre lançamento aéreo de reguladores de crescimento

Deu entrada na sessão ordinária da Câmara Municipal de Lagoa da Prata na última segunda-feira, 20, um projeto de lei que permite a aplicação por aeronaves de reguladores de crescimento (conhecido popularmente como maturadores) e adubo em lavouras cultivadas no município. A nova proposta pretende alterar uma lei municipal de 2008 que proibiu o lançamento de agrotóxicos e congêneres via aérea.

O texto que está sendo analisado pela Câmara ainda proíbe a aplicação dos reguladores em áreas mínimas a mil metros de distância de moradias e mananciais. A empresa também estará obrigada a fornecer à Câmara, com antecedência mínima de 15 dias, o plano de aplicação com as áreas que receberão os produtos.

A iniciativa de propor novas regras partiu da Biosev. Executivos da empresa argumentam que a legislação atual (que proíbe o lançamento aéreo. Lagoa da Prata pode ser a única cidade do Brasil que estabeleceu esta restrição) está comprometendo a competitividade da companhia no mercado porque diminui a quantidade de açúcar na cana, o que significa que a empresa produz, ao final da safra, menos açúcar e menos álcool do que a sua capacidade produtiva permite.

Isso representa uma perda de receita em torno de R$ 9 milhões nos meses de março e abril (período em que serão aplicados os reguladores), sem contar, como consequência, que isso gera outros prejuízos em cadeia, como menos postos de trabalho e menos impostos aos cofres do município.

Agrotóxicos e herbicidas continuam proibidos

A proposta da Biosev é permitir o lançamento apenas de reguladores de crescimento, diferentemente do que se fazia no passado, quando houve registros de aplicação de agrotóxicos e herbicidas. A empresa irá utilizar o produto que se chama Moddus, que é a principal referência do mercado e utilizado no cultivo de várias culturas, como feijão, soja e banana.

De acordo com um pesquisador da Universidade de São Paulo (USP) ouvido pelo Jornal Cidade (em matéria que será publicada com exclusividade na próxima semana) o regulador Moddus não provoca riscos ao meio ambiente e tampouco à saúde humana.

Executivos da Biosev convocaram uma coletiva de imprensa ontem para esclarecer os principais pontos da proposta e ressaltaram que estão abertos ao diálogo com a comunidade. Participaram a superintendente agroindustrial Tânia Fernandes, o gerente agrícola Rafael Augusto Silveira e o gerente de segurança, saúde e meio ambiente Luís Eduardo Queiroz Gomes.

Veja os principais pontos da coletiva:

Agravantes

“A aplicação dos reguladores de crescimento é crucial. Sabemos que gera desconfiança, mas tem uma relevância econômica e social. Hoje somos menos competitivos do que outras usinas do Brasil, pois não aplicamos adubo maturador foliar, aplicamos apenas adubo no solo. A safra 18/19 está prevista para começar em março.

Mas vamos conseguir iniciar em março? Não sabemos, porque depende da quantidade de açúcar na cana. Para ter um nível mínimo de açúcar, para a cana estar madura em março, é preciso aplicar maturador. A expansão e o futuro em longo prazo dessa usina de Lagoa da Prata depende disso. O regulador de crescimento não mata plantas, não mata bichos, não causa câncer”.

Ganhos de produtividade

“Reguladores de crescimento, como o Moddus, que iremos utilizar, podem ser aplicados em alface, em amendoim, em feijão etc. O objetivo dessa aplicação, no nosso caso, é somente aumentar a quantidade de açúcar na cana para iniciar o período da safra mais cedo, pois a planta amadurece mais rápido. Com isso, é possível aumentar em 25% o teor de açúcar na planta. Isso significa em torno de 4 a 5 milhões de reais que a unidade deixa de faturar por mês no primeiro mês de safra. Os reguladores de crescimento serão aplicados somente nos meses de abril e maio”.

Fiscalização

“Nós cumprimos a lei. Essa confiança a gente precisa ter. Já somos fiscalizados pelo Ministério da Agricultura, ANAC (Agência Nacional de Aviação Civil), por auditorias internas e pelo Banco Mundial (que é um dos investidores da companhia e possui rigoroso sistema de governança e normas de respeito ao meio ambiente e segurança do trabalhador). No projeto consta que somos obrigados a informar à Câmara com 15 dias de antecedência.

Qualquer entidade pode nos fiscalizar. Estará disponível a relação dos produtos, notas fiscais, mapas de georreferenciamento, que são as rotas utilizadas pela aeronave registradas por satélites. A Biosev é uma companhia séria, é idônea e está assumindo esse compromisso com a população de Lagoa da Prata. Temos que fazer essa usina crescer e gerar emprego. Vejo um futuro que cabe a nós construirmos, para isso é preciso acreditar que é possível esse caminho”.

(Fonte: Jornal Cidade – 23/11/17)

 

Relacionadas