Bancada ruralista sai mais enxuta das urnas

Uma das maiores e mais influentes do Congresso, a atual bancada ruralista encolheu em mais da metade após as eleições de domingo. Dos 245 deputados e senadores ruralistas que tentaram a reeleição, 128 (52,2%) perderam a disputa em seus Estados, se candidataram para cargos no Executivo ou simplesmente desistiram das eleições. Outros 117 se reelegeram.

A bancada apoia o candidato do PSL à Presidência, Jair Bolsonaro, contudo até mesmo deputados ligados ao agronegócio que fizeram campanha para ele não se sagraram vitoriosos.

No almoço tradicional da bancada, que aconteceu ontem, o clima foi de "velório", após as baixas, segundo ruralistas ouvidos pela reportagem. Muitos comentaram também que até deputados reeleitos tiveram votação bem abaixo do esperado, cerca de dezenas de milhares de votos a menos.

 Para tal situação, contribuiu muito a ascensão de novos rostos na política, oriundos principalmente do PSL, partido de Bolsonaro, mas que não necessariamente têm identificação clara com o setor. No entanto, há uma esperança na bancada de que deputados do PSL de regiões que são polo de produção agropecuária se integrem ao time dos ruralistas.

No caso dos 218 deputados ruralistas que buscaram a reeleição, 119 (54,6%) não se reelegeram ou não vão voltar para a Câmara. Entre esses estão parlamentares vinculados ao setor, como Osmar Serraglio (MDB-PR), ex-ministro da Justiça no governo do presidente Michel Temer, Nelson Marquezelli (PTB-SP) e Valdir Colatto (MDB-SC).

O ex-presidente da Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA) e atual líder do PSDB na Câmara, Nilson Leitão (MT), tentou uma vaga no Senado e também não se elegeu. Na análise dos ruralistas, porém, não houve grandes perdas entre os parlamentares mais atuantes.

Outros 99 deputados foram reeleitos, dos quais integrantes da cúpula da bancada, como a atual presidente da FPA, Tereza Cristina (DEM-MS), o vice-presidente da FPA e próximo líder da bancada em 2019, Alceu Moreira (MDB-RS), e Luiz Nishimori (PR-PR), que foi relator do polêmico projeto que flexibiliza e agiliza o registro de agrotóxicos no país.

"Perdemos nomes muito importantes, mas tivemos um relativo sucesso pela grande renovação que terão a Câmara e principalmente o Senado. Acredito que alguns que são primeiro suplente poderão voltar, melhorando mais esse índice de parlamentares comprometidos com a agropecuária", disse Tereza Cristina.

Já entre os 27 senadores ruralistas da bancada, 19 não voltarão ao Senado, como é o caso de Ana Amélia (PP-RS), cujo mandato termina em dezembro e que se candidatou a vice na chapa derrotada do presidenciável Geraldo Alckmin (PSDB). Outros 18, porém, conseguiram a reeleição e permanecerão na bancada.

Tereza Cristina, que se reelegeu como a quarta mais votada em seu Estado, minimizou as baixas e disse que há muitas "caras novas" que podem se juntar à bancada até a posse dos novos parlamentares em fevereiro. E que o grupo apostará em uma renovação de seus quadros. Há casos também de deputados que foram eleitos para o Senado, como Luís Carlos Heinze (PP-RS), o mais bem votado em seu Estado.

Ela ponderou que, por outro lado, se somaram ao novo grupo dos ruralistas conhecidos do agronegócio como o ex-ministro da Agricultura, Neri Geller, eleito como deputado federal pelo PP do Mato Grosso. O deputado federal mato-grossense mais votado, Nelson Barbudo (PSL), também é produtor rural e potencial integrante da bancada.

Tereza Cristina, que se reelegeu como a quarta mais votada em seu Estado, minimizou as baixas e disse que há muitas "caras novas" que podem se juntar à bancada até a posse dos novos parlamentares em fevereiro. E que o grupo apostará em uma renovação de seus quadros. Há casos também de deputados que foram eleitos para o Senado, como Luís Carlos Heinze (PP-RS), o mais bem votado em seu Estado.

Na avaliação da presidente da FPA, a bancada foi prejudicada pelo sentimento geral da população de criticar e contestar a atual composição do Congresso, taxado de "ruim", conservador e que "cheirava mal" e crucificar os ruralistas como gente "metida com coisa ruim".

Tereza e outros deputados ruralistas irão à residência de Jair Bolsonaro hoje ratificar o apoio dado pela bancada no primeiro turno. A deputada acredita que deve haver adesão integral dos ruralistas à campanha de Bolsonaro no segundo turno, ao contrário do primeiro, quando alguns preferiram manter o apoio a Alckmin.

 Ela nega, mas o mercado acredita que sairá da bancada a indicação para o futuro ministro da Agricultura, caso Bolsonaro seja eleito. Por enquanto, o mais cotado é o pecuarista Luiz Antônio Nabhan, do interior de São Paulo e presidente da União Democrática Ruralista (UDR), entidade fundada na década de 1980 pelo governador eleito por Goiás, Ronaldo Caiado (DEM).

Valor Econômico – 10/10/18

 

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