Braskem lança oito diretrizes para a economia circular

A Braskem, maior produtora de resinas plásticas das Américas, lançou no fim de outubro um compromisso global para a economia circular.  Economia circular é um conceito econômico que se baseia no prolongamento da vida útil e na reincorporação de resíduos no ciclo produtivo, através de reciclagem. É alternativa ao tradicional sistema linear e preconiza desenvolvimento com maior preservação de recursos naturais, busca a eficiência energética e combate o desperdício.

O documento prega uso, descarte e recuperação para a reciclagem de forma responsável, pede a participação de formuladores de políticas públicas, academia, associações, fornecedores e cidadãos.  "O descarte correto e a reciclagem são questões complexas com desafios sociais e econômicos. Nenhum ator, seja indústria, governo, pode resolver sozinho". Diz Jorge Soto, diretor de desenvolvimento sustentável da Braskem.

O compromisso anuncia duas metas da empresa, uma para 2020 e outra para 2040.

A empresa se compromete, até 2020, a ter todas as suas unidades industriais com controle de pellets, os grânulos milimétricos de resina plástica. O pellet é a forma que as resinas têm quando saem da fábrica e vão para armazenagem e comercialização para indústrias de produtos plásticos.

Ocorre que parte desses grânulos de resina se dispersam nas fábricas onde são produzidos ou nos trajetos até as indústrias transformadoras e atingem o meio ambiente. A perda é tão significativa que foi criada uma operação internacional, a “Clean Sweep Blue”, para manter os pellets na rota correta e longe dos cursos d´água e do ambiente marinho. É uma meta de melhoria de logística.

Ficou para 2040 a meta mais abrangente e importante, de que 100% das embalagens de plástico sejam reutilizadas, recicladas ou recuperadas.

De acordo com o estudo da Fundação Instituto de Administração (FIA) da Universidade de São Paulo (USP), o índice de reciclagem do plástico consumido na produção de embalagens no Brasil é de 26%, o que representou cerca de 550,4 mil toneladas em 2017.

Segundo Soto, para atender à primeira das diretrizes do Compromisso, a Braskem vai mellhorar a resina produzida. O diretor diz que esse desenvolvimento vai permitir a manutenção da qualidade do plástico na reciclagem.

Além disso, a empresa investe também em pesquisa básica e apoia programas acadêmicos para desenvolver formas de reciclagem química.

Líder na produção de biopolímeros - polímeros que são produzidos por seres vivos, como celulose e amido - a Braskem deve seguir investindo no aprimoramento da produção de polietileno de cana, do EVA de etanol de cana, e no desenvolvimento comercial do monoetilenoglicol (MEG), em parceria com a dinamarquesa Haldor Topsoe.

O MEG é adequado para uso em PET para garrafas, embalagens de alimentos e tecidos de poliéster. Deve ser lançado em 2019 e, segundo a Haldor Topsoe, uma fábrica para produção comercial deve começar a funcionar em 2023.

O plástico verde foi o primeiro polietileno de origem renovável a ser produzido em escala industrial no mundo. Reciclável, é fabricado desde 2010 no Rio Grande do Sul, e tem produção anual de 200 mil toneladas/ano. A produção geral anual da Braskem é de 20 milhões de toneladas, incluindo produtos químicos e petroquímicos básicos.

Em março, a empresa anunciou que a LEGO passou a usar o polietileno verde da Braskem, feito a partir da cana-de-açúcar, em peças para compor árvores, arbustos e folhas.

"As diretrizes são contínuas", diz Soto. "Nova é a postura em relação à reciclagem, para engajar mais atores". Um dos exemplos é a parceria com o Instituto Akatu, em projeto educativo. Desde 2013, o Edukatu já atendeu 3 mil escolas e engajou 120 mil estudantes em programas de educação ambiental.

COMPROMISSOS PARA A ECONOMIA CIRCULAR BRASKEM

1. Trabalhar com clientes e cadeias de valor na concepção de novos produtos (design) para ampliar a eficiência, a reciclagem e a reutilização, especialmente em produtos plásticos de uso único;

2. Continuar a investir no desenvolvimento de novos produtos renováveis, para apoiar a economia circular no início da cadeia de valor;

3. Desenvolver ou apoiar o desenvolvimento de novas tecnologias, modelos de negócios e sistemas de coleta, triagem, reciclagem e recuperação de materiais, considerando o melhor equilíbrio dos impactos econômicos, sociais e ambientais.

4. Promover e apoiar o engajamento de consumidores em programas de reciclagem e recuperação, especialmente por meio de programas educacionais de consumo consciente, aumentando o conhecimento sobre o valor dos resíduos plásticos para a economia;

5. Utilizar e apoiar o uso de ferramentas de Avaliação de Ciclo de Vida para selecionar a opção mais sustentável, considerando os impactos econômicos, sociais e ambientais.

6. Apoiar a medição e comunicação de índices de reciclagem e recuperação de material de embalagem de plástico;

7. Apoiar destinadas a compreender, prevenir e solucionar o problema do lixo nos mares, com apoio da comunidade científica e de pesquisadores;

8. Apoiar políticas abrangentes baseadas na ciência para compreender as origens e prevenir o lixo nos mares e melhorar o gerenciamento de resíduos sólidos (especialmente plásticos).

 Folha de S.Paulo -13/11/18

 

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