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Cade aprova aquisição da Biosev pela Raízen

03 de Março de 2021

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A Raízen Energia, maior companhia sucroalcooleira do país, controlada por Cosan e Shell, informou hoje, em fato relevante, que a Superintendência Geral do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) aprovou, em 1º de março de 2021, sem restrições, a compra da Biosev pela companhia, anunciada em 8 de fevereiro.

A decisão, contudo, só será definitiva depois de transcorrido prazo de 15 dias contado a partir da publicação no Diário Oficial da União, sem que tenha havido recursos pelo Tribunal do Cade.

Conforme anteriormente divulgado, a consumação da transação permanece sujeita, ainda, ao cumprimento de outras condições precedentes, incluindo a conclusão da reorganização societária da Biosev e a reestruturação do endividamento financeiro da controlada da Louis Dreyfus Company.

O Cade apontou que, em todas as áreas em que atuam, Raízen e Biosev não possuem participações maiores de 30% - no caso da Raízen, as frentes incluem, além da produção de açúcar e etanol, a distribuição de combustíveis. E que já considerou em casos precedentes, que as empresas sucroalcooleiras têm “baixa expressividade” no mercado de energia elétrica, tendo em vista que esse segmento é gerado a partir da biomassa.

A Raízen começou a engajar bancos de investimento para seu IPO. Na semana passada, a companhia enviou pedidos de proposta (RFPs) a potenciais coordenadores, para uma oferta que é estimada entre R$ 8 bilhões e R$ 13 bilhões, segundo três fontes.

A companhia já tinha planos de fazer uma oferta no ano passado, mas queria concluir outro passo primeiro, que era a aquisição da endividada Biosev. Em tratativas há seis meses, as companhias chegaram a um acordo no início de fevereiro. O negócio foi realizado por troca de ações, com desconto.

A Raízen, produtora de açúcar e álcool e distribuidora de combustíveis - uma empresa integrada de energia -, é uma joint venture entre a Cosan e a Shell. O IPO era aguardado pelo mercado desde que a Cosan iniciou uma reestruturação societária no ano passado, mas faltava um acordo com a Shell. A expectativa inicial era que a Raízen fosse a última da fila.

A primeira companhia no planejamento de ofertas da Cosan era a Compass, empresa de energia que chegou a registrar a operação no ano passado - mas uma piora de mercado e a falta de consenso sobre o valuation fez a Cosan adiar o IPO. A outra operação será da Moove, produtora de lubrificantes e óleos.

A conclusão das sócias, segundo fontes, é que uma oferta desse porte pode ser menos suscetível às oscilações de mercado - no ano passado, mega-ofertas saíram mesmo em períodos de maior volatilidade, por serem de companhias já conhecidas dos investidores e com operações mais estabilizadas, além de não tão dependentes de projeções de crescimento.

A oferta deve levar alguns meses, até para a conclusão de processos referentes à Biosev.

A Raízen é um colosso de mais de R$ 120 bilhões de vendas - excluindo bancos, é a quarta maior companhia do país, só atrás de Petrobras, JBS e Vale. Rubens Ometto, o empresário que ergueu um império a partir do açúcar, é o presidente vitalício do grupo por definição contratual.

Na distribuição de combustíveis, a companhia fica na terceira posição, atrás de BR e Ipiranga. No diesel, a fatia da Raízen é de 18,4%. A participação na gasolina é um pouco menor, de R$ 16,8%.

Shell e Cosan firmaram a primeira sociedade em 2011. A petroleira holandesa tinha opção de comprar a participação de Binho, como Ometto é chamado pelos amigos, na Raízen, mas as duas empresas chegaram a um acordo em 2016 e selaram um casamento definitivo, sem prazo para o fim da sociedade.

 

Fonte: Valor Econômico – 03/03

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