Cenário de produção de etanol de milho e DDG

Estima-se que nesta safra, serão produzidos 30,3 bilhões de litros de etanol, dos quais 1,4 bilhão será fabricado a partir do milho, frente a 880 milhões de litros produzidos em 2018.

Essa produção representa de 4% a 5% do total e, poderá alcançar 8% em 2020, e 20% nos próximos 10 anos. (Datagro – 19ª Conferência Internacional Sobre Açúcar e Etanol).

A produção de etanol a partir do milho tem sido vista positivamente pelo potencial de crescimento em termos de mercado e por ser uma opção de escoamento da produção em regiões onde notoriamente, por falta de estradas e armazéns, os preços são relativamente baixos.

Mato Grosso

O estado com maior potencial de produção de etanol de milho é o Mato Grosso. Em 2018 a produção foi de 660 milhões de litros (75% da produção nacional).

A produtividade das lavouras de milho está aumentando, saindo de 99,6 sacas/ha para as atuais 110,68 sacas/ha.

A expectativa é de que a produção mato-grossense alcance 32,26 milhões de toneladas, incremento de 14,15% em relação à safra passada (IMEA).

A projeção é que o estado produza 1,1 bilhão de litros na próxima safra (CONAB).

Outro dado importante, segundo o presidente do SindAlcool/MT, é que o etanol de milho deve superar o de etanol de cana em função do tamanho da produção do grão.

Para sustentar esse crescimento, novas usinas estão em construção, em Sorriso e Campo Novo do Parecis, que devem entrar em operação no ano que vem.

Para 2021, mais cinco novas plantas começarão a operar no estado.

Com o sucesso das primeiras usinas, ficou evidente a viabilidade da produção de etanol a partir do milho como matéria prima.

O grão pode ser armazenado, é fácil de transportar e fornece, em seu processo industrial, derivados comercializáveis como o DDG (grão de milho seco), o WDG (grão de milho úmido) e o óleo de milho.

Outro ponto importante é a possibilidade das usinas flex utilizarem o milho na entressafra da cana-de-açúcar, assim é possível diminuir a ociosidade e reduzir os custos fixos, diluídos devido a otimização da utilização do maquinário e da mão-de-obra. 

A produção de etanol a partir do milho é mais uma opção no mercado.

Um dos gargalos é a dificuldade de logística, já que o combustível precisa chegar com preço competitivo na bomba.

Segundo a União Nacional do Etanol de Milho, tendo em vista o crescimento da produção, a entidade espera que os investimentos em infraestrutura, como na BR-163 e em ferrovias, principalmente no Eixo Norte, se concretizem para consolidar o escoamento da produção, para o mercado interno e externo.

Em longo prazo, a expectativa é de que, com o aumento crescente na produção de milho, o setor até 2028, processe de 17 a 20 milhões de toneladas de cereal, chegando a uma produção em torno de 7 a 8 bilhões de litros.

DDG e WDG

Os resíduos da produção do etanol de milho, DDG e WDG, podem ser utilizados como fonte de energia e proteína para bovinos, podendo ser um substituto do farelo da soja, farelo de algodão e caroço de algodão na dieta dos animais, dependendo dos níveis de inclusão.

Segundo levantamento da Scot Consultoria, na primeira quinzena de novembro, o DDG foi comercializado entre R$546,88 e R$875,00 por tonelada, sem o frete, considerando os preços convertidos para uma média de 35% de proteína bruta (PB) no caso do DDG e 30% de PB para o WDG ( as concentrações encontradas variaram entre 32 e 40% de PB) .

Para o WDG, a cotação média variou de R$120,00 a R$200,00 por tonelada, seu valor mais baixo de mercado é devido à concentração de água no produto, resultando em menor tempo de armazenamento, impactando assim no transporte, sendo inviável o seu uso em propriedades distantes das usinas.

Em relação às outras fontes de proteínas, o DDG e o WDG são alternativas para diminuir o custo da alimentação dos bovinos.

Em uma comparação do preço do quilo de proteína bruta (PB) na matéria seca, o DDG está custando 29,8% a menos em relação ao farelo de soja. Lembrando que estamos falando de dietas de bovinos de corte, onde para essa substituição pode ser de até 100% na dieta, sem efeitos negativos.

Fonte: Canal Rural - 28/11/2019

 

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