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Eletricidade gerada pelos canaviais atende 18% das residências do País

04 de Março de 2021

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Quando se fala em cana-de-açúcar, a ligação imediata é com etanol e açúcar. Afinal, tratamos da matéria-prima do adoçante e a principal fonte geradora do biocombustível que move os veículos flex ou é adicionado em 27% em cada litro de gasolina. Todas essa referências, a princípio, rementem à eletricidade gerada pelos canaviais.

A cana, entretanto, vai além do açúcar e do etanol e é uma grande fonte geradora de eletricidade. Essa conversão exige processo que, em resumo, funciona assim: a biomassa da planta passa por turbinas e geradores, gera vapor na queima e, em seguida, resulta em energia elétrica.

Mais: esse processo, chamado de cogeração, é tradicional nas pouco mais de 400 unidades produtoras sucroenergéticas do país. Nos dez meses de duração do ciclo produtivo ou safra, como se diz no jargão do setor, essas unidades cogeram 100% da eletricidade necessária. Sendo assim, nesse período não precisam pagar conta de luz para distribuidoras.

Mais da metade dessas usinas, no entanto, também produz energia excedente, seja por meio de vendas em leilões públicos ou em negociações no chamado mercado livre e essa eletricidade entra no Sistema Interligado Nacional, o SIN, que abastece as distribuidoras.

Em 2020, por exemplo, 18,5% do consumo de eletricidade residencial foram atendidos pela eletricidade proveniente dos canaviais. Quando se fala em todos os setores (residencial, industrial e comercial), a participação é de 5%.

Em números, essa geração totaliza 27,426 mil gigawatts-hora (GWh), suficientes para atender 11,7 milhões de residências.

Quem lidera a produção de energia elétrica no país é a geração por hidrelétricas, responsável por 77% do total, segundo o Operador Nacional do Sistema (ONS).

As informações sobre eletricidade da cana, ou bioeletricidade, como é chamada, são da Unica, entidade representativa do setor sucroenergético.

Não fica por aí. A bioeletricidade tem muito a crescer. Considerando-se a geração de 2020, ela representa apenas 11% do potencial de produção de eletricidade sucroenergética para a rede, aponta a Unica.

Deve-se levar em conta, aí, que essa produção tem crescido nos últimos anos. Segundo a entidade, na safra 2010/11, cada tonelada de cana resultava em médios 36 kilowatts-hora (kWh). Nove anos depois, na safra 19/202, esse mesmo indicador foi de 57,3 kWh, alta de quase 60%.

O crescimento ajuda a explicar os motivos de a bioeletricidade avançar em geração térmica pela fonte biomassa. Apenas no mês de julho do ano passado, por exemplo, a eletricidade produzida a partir dos canaviais representou 7% de toda energia produzida no país.

Zilmar de Souza, gerente de bioeletricidade da Unica, lembra que dos 27,476 GWh de bioeletricidade gerados em 2020, o setor sucroenergético responde por nada menos do que 82,3%. As demais fontes compositoras de bioeletricidade são biogás, lenha, lixívia, resíduos de madeira, capim elefante e casca de arroz.

Bioeletricidade reduz emissões de CO2

Os bons exemplos da bioeletricidade vão além. A geração de 2020 evitou a emissão de gás carbônico (CO2) estimada em 6,3 milhões de toneladas, marca que, segundo Souza, somente seria atingida com o cultivo de 44 milhões de árvores nativas ao longo de 20 anos.

Outro exemplo: 83% da eletricidade gerada pelos canaviais foram ofertados entre maio e novembro, quando ocorre a safra nas usinas da região Centro-Sul do país.

Pois este período é o mais crítico para o setor elétrico brasileiro, responsável por deslocar térmicas caras e poupar água nos reservatórios das hidrelétricas.

"Estimamos que, em 2020, essa geração de bioeletricidade da cana para a rede poupou 15% da energia capaz de ser armazenada sob a forma de água nos reservatórios das hidrelétricas das regiões Sudeste/Centro-Oeste", destaca o gerente de bioeletricidade da Unica.

 

Fonte: Energia que fala com você – 03/03

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