Força-tarefa desmonta quadrilha de roubo de combustíveis da Petrobras

A polícia prendeu ontem (16) cinco suspeitos de participação em uma quadrilha especializada em furto de petróleo e combustíveis em dutos da Petrobras, atividade criminosa que teve grande crescimento em 2016 e está por trás de uma série de assassinatos na Baixada Fluminense, no Rio. Na quarta (15), outros oito supostos integrantes do bando já haviam sido presos, sete deles em flagrante enquanto praticavam o crime em Uberlândia (MG). Entre estes, havia dois policiais militares do Rio.

As prisões são resultado da Operação Ouro Negro, coordenada pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), do Ministério Público do Rio de Janeiro, em parceria com a Delegacia de Proteção ao Meio Ambiente da Polícia Civil.

A força-tarefa estima que a quadrilha tenha desviado, apenas em 2016, cerca de 14 milhões de litros, causando um prejuízo de aproximadamente R$ 33,4 milhões à Petrobras. Na operação, estourou uma refinaria clandestina Cosmópolis (SP).

Foram expedidos 11 mandados de prisão no Rio, São Paulo e Minas Gerais. Destes, seis foram cumpridos até a tarde desta quinta, segundo o Ministério Público.

A quadrilha se dividia em três grupos, cada um responsável por um Estado e por determinada etapa das operações - alugar os terrenos para praticar os furtos, definir as rotas dos caminhões e equipes de perfuração dos dutos e instalar as "bicas" para a retirada dos combustíveis.

De acordo com a denúncia, a quadrilha atuou entre junho de 2015 e março de 2017. Os integrantes serão acusados de organização criminosa para a prática de furto qualificado de combustível e petróleo cru. Apenas no ano passado, o sistema da Petrobras identificou 73 ocorrências de furtos em sua malha de dutos. Em 2015, foram apenas 14 e no ano anterior, uma.

Segundo a polícia, a disputa pelo controle da atividade tem gerado uma guerra entre milícias na Baixada Fluminense. Em 2016, três candidatos a vereador de Duque de Caxias foram assassinados, segundo a polícia, por envolvimento neste tipo de crime.

O furto é realizado geralmente em propriedades próximas às faixas de dutos da Petrobras. Para não despertar suspeitas, as operações costumam ser realizadas durante a noite: caminhões-tanque entram nas propriedades e são abastecidos com os combustíveis furtados por meio de mangueiras, deixando o local antes do início do dia.

(Fonte: Estadão – 16/03)

 

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