Luzes da cidade limpa

A energia limpa está avançando consistentemente no mundo. É o que mostram os dados reunidos pela Carbon Disclosure Program (CDP), organização americana que divulga informações climáticas. O total de cidades que obtêm, no mínimo, 70% do seu consumo elétrico de fontes renováveis ultrapassou a marca de 100, em 2017, o dobro em comparação há dois anos.

Há dois motivos para isso. Primeiro: mais cidades estão reportando seus dados ao CDP, o que gera uma base mais consistente - hoje, são 570 municípios. Ao mesmo tempo, segundo a organização, há uma tendência global de migração das energias sujas, como carvão e petróleo, para as limpas, como eólica e solar.

Chamam a atenção algumas cidades, como Harare, no Zimbábue (foto). Com 1,7 milhão de habitantes, o município tem 80% de sua energia proveniente de fonte renovável. Deste total, 60% vêm de hidrelétricas e 20% do sol. É a metrópole com maior percentual de energia solar, seguida por San Diego, nos Estados Unidos, com 18%. As cidades portuguesas de Braga e Cascais geram mais da metade de sua energia por meio do vento.

Já o Brasil concentra mais da metade das cidades que tiram 70%, ou mais, da energia de fontes renováveis. A geração hidrelétrica é a responsável por isso. Mais de 20 cidades têm 100% de sua eletricidade gerada pelas águas, entre elas Salvador e Curitiba. Um caso interessante é o do Rio de Janeiro. A cidade, com 7 milhões de habitantes, tem cerca de um terço de sua energia oriunda da biomassa. Caxias do Sul (RS), por outro lado, recebe um quarto da eletricidade de usinas a carvão. Além dela, outras três cidades brasileiras, todas no Rio, têm mais de 5% de participação desse tipo de energia suja em suas matrizes: Rio de Janeiro, Angra dos Reis e Duque de Caxias.

Fonte: Revista Isto É Dinheiro - 12/03/18

 

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