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Petrobras nega haver decisão sobre reajustes

07 de Dezembro de 2021

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A Petrobras rebateu ontem o presidente da República, Jair Bolsonaro, ao informar que “não há nenhuma decisão tomada” sobre mudanças nos preços dos combustíveis. A empresa esclareceu que não antecipa decisões sobre reajustes, em resposta a declarações de Bolsonaro de que a estatal deve começar a fazer “pequenas reduções” nos preços nas refinarias a partir desta semana, diante da queda recente da cotação do petróleo. A Comissão de Valores Mobiliários (CVM) abriu novo processo administrativo envolvendo a petroleira.

Não é a primeira vez que Bolsonaro faz comentários do tipo e levanta dúvidas sobre o acesso a informações privilegiadas da companhia. No dia 24 de outubro, ele se antecipou à Petrobras ao anunciar que a petroleira aumentaria os preços dos derivados - o que se confirmou no dia seguinte. Por outro lado, já houve ocasião em que as declarações de Bolsonaro não se confirmaram. No dia 1º de novembro, por exemplo, ele disse que a estatal faria um novo reajuste em 20 dias. A estatal, porém, está há 42 dias sem mudar os preços.

Petroleira tem vendido diesel e gasolina com preços acima da paridade internacional, nos últimos dias.

“Quando o Brent [barril de petróleo] cai, a coisa é automática. Não é bola de cristal, nem estou passando informação privilegiada”, alegou Bolsonaro, ao Poder 360, no domingo, ao comentar que a Petrobras começará, a partir desta semana, a fazer pequenas reduções nos preços internos.

O presidente faz referência à queda recente dos preços da commodity. O Brent acumula desvalorização de 10,5% desde o dia 25 de outubro, quando o mercado internacional começou a precificar as preocupações com a variante Ômicron. O barril caiu de US$ 82, naquele dia, para menos de US$ 70 no início de dezembro. Ontem, o petróleo fechou cotado a US$ 73, alta de 4,5%, ante as notícias de que a Arábia Saudita elevou os preços para clientes asiáticos e frente ao relativo alívio sobre a Ômicron.

Com a queda da commodity, a Petrobras passou a trabalhar com prêmios em relação ao mercado global, depois de meses praticando preços abaixo da paridade internacional, segundo a Abicom, que representa um grupo de importadores. A Stonex estima que há um espaço para corte de R$ 0,26 no preço do litro da gasolina vendido pela estatal e de R$ 0,10 no diesel.

Na semana passada, o diretor de comercialização e logística da Petrobras, Cláudio Mastella, afirmou que a estatal estava cautelosa e observando o cenário internacional antes de tomar uma decisão sobre mudanças na precificação no mercado interno. “Estamos experimentando um cenário muito volátil, então estamos muito cautelosos sobre aumentar ou baixar preços a qualquer sinal de mudança”, disse, no dia 30 de novembro.

Na gestão de Joaquim Silva e Luna à frente de sua gestão, a empresa tem reduzido a frequência dos reajustes e evitado repassar imediatamente oscilações do mercado internacional. Em quase oito meses sob administração do general, a empresa mexeu quatro vezes no preço do diesel - uma média de um reajuste a cada dois meses. Na gasolina, são seis mexidas nas refinarias no mesmo período, ou seja, uma mudança a cada quase 40 dias. Para efeitos de comparação, na gestão de Roberto Castello Branco, a média era de um ajuste a cada duas semanas.

A Petrobras esclareceu que monitora, de forma contínua, os preços internacionais e que seus reajustes são realizados no “curso normal de seus negócios e seguem as suas políticas comerciais vigentes”. Em comunicado à CVM, a companhia reiterou, ainda, que evita o repasse imediato das volatilidades externas do petróleo e do câmbio causadas por eventos conjunturais.

A Comissão de Valores Mobiliários não comenta casos específicos, mas confirmou que o episódio mais recente envolvendo as declarações de Bolsonaro sobre os reajustes da estatal está sob análise.

A CVM determina a divulgação ao mercado de qualquer ato ou fato relevante que possa influir “de modo ponderável” na cotação de ações ou na decisão de compra e venda de um papel. Em caso de vazamento, ainda que a fonte não tenha sido a companhia, a informação deve ser prontamente divulgada ao mercado pelo diretor de relações com investidores. Se ele for omisso, essa obrigação recai aos controladores ou administradores que tiverem acesso à informação.

 

Fonte: Valor Econômico – 07/12

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