Produção de milho deve cair. Quais os impactos para o etanol feito do cereal?

A mais recente estimativa da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa), divulgada nesta terça-feira (10/07), confirma que a produção de milho deste ano deverá ficar em 82,9 milhões de toneladas.

Essa projeção, no entanto, dependerá da colheita da segunda safra, estimada em “algo próximo a 56 milhões de toneladas”, conforme indica a estimativa da Conab.

As projetadas 56 milhões de toneladas da segunda safra, no entanto, representam queda de 16,9% ante as 67,4 milhões de toneladas obtidas na temporada 16/17.

Essa queda reflete a menor produtividade (4,8 mil quilos por hectare projetada para a segunda safra da 17/18, queda de 13,3% ante os 5,6 mil quilos por hectare na 16/17) e a menor área destinada ao cereal. Na 16/17 foram destinados 12,1 mil hectares, alta de 4,1% sobre os atuais 11,6 mil hectares.

Diante o cenário da segunda safra, a produção de milho pode chegar às projetadas 82,9 milhões de toneladas, mas certamente haverá impactos para as usinas produtoras de etanol a partir do cereal.

Afinal de contas, as 82,9 milhões de toneladas significam queda de 15,2% ante a produção da safra anterior, que ficou em 97,8 milhões de toneladas.

Como serão os impactos sobre as usinas de etanol a partir do cereal? O primeiro desses impactos está ligado ao preço do milho.

Por ora, a variação é apenas estimada. Em Sinop, município do Mato Grosso grande produtor de milho e que recebe investimentos de implantação de usina de etanol do grupo Inpasa, do Paraguai, o comportamento de preços oscila pouco.

Segundo a Associação dos Produtores de Soja e Milho de Mato Grosso (Aprosoja), a saca do cereal valia R$ 19,50 em 05/07 em Sinop, último valor divulgado no website da entidade. Em 20/02, a mesma saca custava R$ 16,30.

A alta de preços entre o fim de fevereiro e o começo deste julho é de 19%. Conforme consultores ouvidos pelo JornalCana, a estimativa divulgada nesse 10/07 pela Conab certamente empurrará os preços do cereal para cima.

Resta agora acompanhar o ritmo de alta porque o milho está entre as apostas do setor sucroenergético para ampliar a oferta de etanol não só para dar conta de atender à demanda atual, mas também para fortalecer a oferta do biocombustível como previsto pela Política Nacional de Biocombustíveis, o RenovaBio.

Fonte: Jornal Cana – 10/07/2018

 

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