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Seca e geadas prejudicam a colheita de cana em Minas

28 de Julho de 2021

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Os fatores climáticos – como a seca e as geadas – vão interferir de forma negativa na produção mineira de cana-de-açúcar na safra 2021/22 e também no próximo ciclo, 2022/23. A estimativa inicial para a safra deste ano era de 65,5 milhões de toneladas de cana, volume que devido à seca já estava cerca de 8% menor que as 70,7 milhões de toneladas esmagadas na safra 2020/21.

Agora, com as geadas que vêm ocorrendo, a projeção é de que a perda será maior. Áreas já colhidas e que estavam em processo de rebrota foram afetadas, o que vai impactar a colheita de 2022.

O presidente da Associação das Indústrias Sucroenergéticas de Minas Gerais (Siamig) Mário Campos, explica que a seca registrada ao longo do ciclo de desenvolvimento afetou os canaviais, o que já provocaria uma queda na produção de 2021/22 frente à safra anterior.

“Esta safra, infelizmente, foi impactada pela seca. Nossa expectativa já era de um volume menor a ser processado quando comparado com o ano passado. Nossa previsão inicial para este ano seria moer 65,5 milhões de toneladas de cana, contra 70,7 milhões do ano passado”.

Para agravar ainda mais a situação, entre o final de junho e meados de julho, algumas áreas produtoras de cana-de-açúcar em Minas Gerais foram afetadas pelas geadas, assim como ocorrido em regiões de plantio de café. Os impactos do fenômeno meteorológico ainda não foram calculados, mas os prejuízos são certos.

“Do final de junho até a semana passada, tivemos três geadas nas regiões produtoras de cana, e este fenômeno vai impactar a nossa produção. Ainda não temos um panorama, mas a moagem será menor que as 65,5 milhões de toneladas previstas anteriormente”, explicou.

A geada, segundo Campos, teve efeitos na logística da colheita. “Muita cana que não estava pronta teve que ser colhida para não perder. Com isso, a cana pronta não foi colhida e ficará mais tempo no campo, o que também gera perdas. As geadas, além de prejudicarem a safra em andamento, também impactarão a safra do ano que vem.

Isso porque elas também atingiram áreas de rebrota e, muitas vezes, matam ou é necessário cortar a planta. Isso atrasa em cerca de um a três meses o desenvolvimento. Por isso, sentiremos os impactos negativos agora e na safra que vem”, afirmou.

Etanol estável

Em relação à evolução da safra 2021/22, a moagem e a produção de açúcar estão menores, enquanto a fabricação de etanol total segue estável.

Segundo informações da Siamig, no acumulado do início da safra atual até o  dia 16 de julho, a moagem de cana-de-açúcar, em Minas Gerais, totalizava 32,1 milhões de toneladas, retração de 3% frente as 33 milhões de toneladas registradas em igual intervalo da safra 2020/2021.

A produção de açúcar está em torno de 2 milhões de toneladas, o que representa uma queda de 1% frente as 2,08 milhões de toneladas colhidas na safra passada.

A produção mineira de etanol ficou em 1,25 bilhão de litros, mesmo volume registrado anteriormente. A fabricação de etanol hidratado caiu 16% e fechou a primeira quinzena de julho em 768 milhões de litros, ante os 918 milhões de litros registrados no mesmo período de 2020.

Já a produção de etanol anidro cresceu expressivos 44% no Estado, com a geração de 480 milhões de litros, ante os 334 milhões vistos em igual intervalo de 2020. A maior produção se deve ao aumento do consumo da gasolina, que tem o biocombustível adicionado à mistura.

“Esta mudança se deve, principalmente, ao atendimento aos compromissos de contratos. Com o maior consumo de gasolina, precisamos atender a estes contratos de anidro. Não vemos muitas perspectivas de mudanças do mercado. Estamos com preços muito bons para os produtores, resultado da menor oferta frente à demanda que está crescendo. Mesmo com a paridade do etanol hidratado acima de 70% do preço da gasolina, a diferença em reais tem estimulado o consumo”, disse Campos.

Mais de 500 municípios em alerta

Após a forte geada que causou estragos nas lavouras de Minas Gerais na última semana, os produtores rurais do Estado devem se preparar para novos registros de baixas temperaturas e geadas a partir de hoje. De acordo com o alerta emitido pelo Sistema de Meteorologia e Recursos Hídricos de Minas Gerais (Simge),

do Instituto Mineiro de Gestão das Águas (Igam), a onda de frio intenso afetará com mais intensidade as mesorregiões Sul de Minas, Triângulo Mineiro, centro/sul das regiões Central e Metropolitana, Oeste, Campo das Vertentes e Zona da Mata.

A previsão é de que 541 municípios mineiros registrem de 10ºC até temperaturas negativas, com geadas moderadas a fortes. Os modelos meteorológicos de previsão de tempo apontam para a ocorrência de temperaturas negativas de forma generalizada no Sul de Minas e no Campo das Vertentes nas madrugadas dos dias 30 e 31/7, o que deve provocar geada de média a forte intensidade nessas mesorregiões.

“A geada também deve ser observada em áreas do Triângulo Mineiro e no sul das regiões Noroeste e Central entre os dias 29 e 31/7. O dia 29/7 será o mais seco no período deste aviso, aumentando a amplitude térmica e fazendo com que a madrugada de 30/7 seja a mais fria, com mínimas abaixo dos 7°C na mesorregião Metropolitana, inclusive na Capital e na Região Metropolitana de Belo Horizonte.

Nos dias 1º e 2/8, a circulação dos ventos volta a mudar para noroeste e haverá aumento gradativo das temperaturas do ar a partir do Centro/Oeste do Estado”, aponta o aviso meteorológico do Simge.

O assessor técnico especial em café da Secretaria de Estado de Agricultura, Pecuária e Abastecimento de Minas Gerais (Seapa), Niwton Castro Moraes, explica que, neste ano, as geadas estão sendo mais drásticas e fugindo do comportamento habitual.

Pesquisadores da Epamig e Embrapa elaboraram material, disponível no site da Epamig, que explica porque as geadas ocorrem e traz recomendações para o levantamento dos danos e ações necessárias.

 

Fonte: Diário do Comércio – 28/07

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