Tereza Cristina: Fusão com Meio Ambiente traria mais ônus do que bônus

Indicada nesta quarta-feira como ministra da Agricultura de Jair Bolsonaro, a deputada federal Tereza Cristina (DEM-MS) disse à noite que a fusão da pasta com a do Meio Ambiente traria mais ônus do que bônus para o agronegócio. Segundo ela, a notícia de que o presidente eleito tinha a intenção de fundir os dois ministérios "causou mal-estar" no exterior, o que poderia acarretar barreiras comerciais aos produtos brasileiros.

"Hoje existem muitas barreiras comerciais, que são protecionismos lá fora, que a gente precisa vencer. Este [fusão] é um assunto que causou mal-estar lá fora. Então, de repente, para que fazer essa fusão, se a gente teria mais ônus do que bônus?", disse a futura ministra. "Agora, eu tenho certeza de que ele vai dar a cara do governo dele também ao Ministério do Meio Ambiente. Assim como eu devo receber alguma instrução do que ele quer para o Ministério da Agricultura."

Tereza Cristina afirmou que os produtores de carnes estavam preocupados com uma possível perda de mercado por conta da fusão, mas "hoje essa preocupação já diminuiu muito".

Outro tema no radar do setor é a decisão de Bolsonaro de transferir a Embaixada do Brasil em Israel de Tel-Aviv para Jerusalém. A medida, já adotada pelo presidente americano, Donald Trump, é controversa perante a comunidade internacional. E pode levar à perda de mercados nos países árabes, grandes consumidores das carnes brasileiras.

"Acho que aí é outra conversa. Eu preciso saber o que eles [governo Bolsonaro] estão pensando", afirmou a deputada, que preside a Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA).

Tereza Cristina disse sentir que o governo Bolsonaro, ainda em gestação, é "muito aberto ao diálogo". Mas ponderou que é preciso ter cuidado com as palavras, porque "o mercado é muito sensível".

"Eu tenho sentido o governo e essa transição muito abertos ao diálogo. E acho que a gente tem que ter muito cuidado com o que vai falar porque o mercado é muito sensível. Qualquer fala fora do tom você pode prejudicar uma abertura de mercado ali ou um mercado que se fecha lá", disse. "Acho que o momento é de trabalhar, arrumar o que se quer desse novo governo, e aí apresentar. Nós temos até o dia 30 de dezembro para apresentar à sociedade o que é a cara do governo Jair Bolsonaro."

Tereza Cristina se encontra na manhã desta quinta-feira com Bolsonaro pela primeira vez como ministra indicada. Em Brasília, ela mora no mesmo prédio do deputado federal Eduardo Bolsonaro (PSL-SP), filho do presidente eleito e onde ele está hospedado. Mas afirmou ainda não ter conversado com o futuro governante "por conta da liturgia do cargo".

A deputada teve o nome indicado nesta quarta-feira a Bolsonaro por membros da FPA, que se reuniram com o presidente eleito em Brasília. Ela disse que não foi ao encontro porque não participaria de uma reunião para indicar seu próprio nome. Ela afirmou que sua responsabilidade aumenta a partir de agora.

"Eu espero corresponder à confiança que o presidente está depositando na minha pessoa. E eu vou trabalhar ao máximo para realizar a esperança dos produtores nesse governo, que é muito grande. A minha responsabilidade aumenta com esse convite, da maneira com que foi feita", disse. "Eu ainda nem estou acreditando."

Fonte: Valor Econômico – 8/11

 

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