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Vibra monitora risco de greve e assegura suprimento da rede

21 de Outubro de 2021

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O presidente da Vibra Energia (ex- BR Distribuidora), Wilson Ferreira Júnior, vê com preocupação as ameaças de uma nova greve dos caminhoneiros, mas afirma que a distribuidora está preparada para enfrentar uma eventual paralisação e que não acredita em “maiores problemas” no suprimento ao mercado. Por ouro lado, o executivo crê em riscos de desabastecimento caso o governo, pressionado pela alta dos combustíveis, siga o rumo do controle de preços.

A inflação dos derivados é um assunto “quente”, hoje, na pauta política. Grupos de caminhoneiros prometem entrar em greve a partir de 1º de novembro. Dentre as reivindicações, a categoria pede mudanças na política de preços da Petrobras, alinhada ao mercado internacional. O presidente Jair Bolsonaro disse que, nesta semana, resolverá “a questão do preço do diesel”. Os presidentes da Câmara, Arthur Lira (PP-AL), e do Senado, Rodrigo Pacheco (DEM-MG) também cobram ações da petroleira.

Segundo Ferreira Júnior, um eventual controle de preços traria desequilíbrios para a dinâmica do mercado e para as finanças da estatal: “Já vimos no passado o que acontece com a Petrobras. O controle de preços de combustíveis é uma alternativa que, se aplicada de forma determinada, vai gerar o desabastecimento, porque inviabiliza o processo de importação”, afirmou o executivo, ontem, ao participar da live do Valor.

Ele defende que a atual inflação dos preços das commodities está associada, de uma forma geral, ao descasamento no ritmo da recuperação da demanda e da oferta nas cadeias globais. No Brasil, a situação é agravada pelo “desconforto” de investidores em relação às questões fiscais - o que se reflete na desvalorização do real.

Segundo Ferreira Júnior, os preços dos derivados tendem a cair à medida em que a oferta se ajuste à recuperação da demanda: “Se tivermos a mesma responsabilidade nas coisas nossas nos temas fiscais etc, o sistema financeiro certamente aliviará a questão cambial, o risco passa a ser menor, o dólar cai e todos os combustíveis caem”, complementou. “Não tem mágica.”

Sobre a possibilidade de greve, o executivo disse que a Vibra tomou “todas as providências” para garantir o suprimento em sua rede e que a distribuidora mantém salas de crise para acompanhar o assunto. “O volume vai ser atendido, não diria que com tranquilidade, mas tempestivamente, de modo a não haver esse risco que assusta a população”, afirmou. “Mas é uma situação que desde ontem começa a preocupar”, ressalvou.

Ferreira Júnior comentou também sobre as queixas de distribuidoras e importadores, de que a Petrobras está segurando reajustes. Ele afirma que a estatal vem enfrentando dificuldades no repasse do aumento dos custos para o mercado doméstico, mas que a gestão de Joaquim Silva e Luna tem seguido a política de preços alinhados ao mercado internacional.

O presidente da Vibra não crê que a negativa da Petrobras em atender toda a demanda das distribuidoras regionais levará ao desabastecimento do mercado. A situação, porém, deve ter efeitos na concorrência do setor. O executivo lembra que, no passado, as distribuidoras regionais e postos de bandeira branca ganharam participação de mercado, baseadas na competitividade com a importação. Com a atual defasagem dos preços da Petrobras para o mercado internacional, a situação se inverteu. “Nós certamente teremos uma vantagem a partir de agora [em relação à bandeira branca].”

A BR mudou de nome, em meio ao reposicionamento de olho na transição energética. A empresa vai alocar 30% dos investimentos até 2030 em novos negócios. Um dos passos recentes nesse sentido foi a aquisição de 50% da Comerc. Ferreira Júnior conta que empresa está atenta a oportunidades de novas aquisições na área, para aproveitar-se da tendência de consolidação do setor. E disse que a prioridade, a partir do 1º dia em que assumir o co-controle da Comerc, será acelerar a implantação da carteira de projetos de geração distribuída com foco em renováveis.

O executivo afirma que a Comerc também permitirá à Vibra desenvolver a comercialização de gás natural, no futuro. “Na comercialização de gás já temos a opção via Comerc. Certamente vamos potencializá-la”, disse.

Outros dois movimentos recentes da Vibra foram a criação de uma joint venture com a Copersúcar para a comercialização de etanol e de uma parceria com a ZEG Biogás, para produção de biometano a partir da vinhaça, na indústria sucroalcooleira. Essas duas sociedades vão começar a operar em 2022.

 

Fonte: Valor Econômico – 21/10

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